(a) Pipoca… Rock!!!


Lanterninha: Comédia romântica para diabéticos.
29 Dezembro, 2006, 2:39 pm
Arquivado em: Cinema

Se você acompanha cinema nos últimos 10 anos, deve ter visto muitas comédias românticas que açucararam as telas nessa época. Tantas produções assim se devem ao fato de que é (ou foi) o tipo de filme que sempre (ou quase sempre) dava certo. Filme com grande apelo ao público feminino, que conseqüentemente, arrastavam os homens juntos. “Um Dia Especial”, “Um Lugar Chamado Notting Hill”, “Do Que As Mulheres Gostam”, “Mens@gem Para Você” e dezenas de outros são apenas alguns bons exemplos do gênero na última década. Logicamente Hollywood conseguiu espremer o gênero até a última gota, obrigando o público a ignorar esse tipo de filme ultimamente.

Aí, fim de ano, você e sua namorada vão ao cinema e ela quer ver “O Amor Não Tira Férias”. Se te bate o desespero só de ouvir a palavra “amor” de novo num título de filme, acredite, é perfeitamente compreensível. Mas aqui vai meu conselho: assista ao filme. Não só pelo óbvio fato de não iniciar uma crise no seu relacionamento, mas porque essa não é uma comédia romântica como várias outras que você já viu (ou foi obrigado a ver). Aliás, apesar de ser vendido como comédia romântica, o filme é na verdade apenas um romance.

Por alguma razão, nessa última década os roteiristas cismaram que um filme não bastava ser romance, tinha que ser comédia também. Em alguns casos, tinha que se misturar com o drama (vide “Diário de Uma Paixão”). O grande mérito de “O Amor Não Tira Férias” é ser um autêntico romance, com doses balanceadas e homeopáticas de comédia e drama.

O filme mostra como duas mulheres que não se conhecem, encontram o amor onde menos esperavam, após saírem de um relacionamento ruim. Por mais que essa micro-sinopse possa sugerir um filme óbvio, acredite, não é. Provavelmente para fugir da tal obviedade, a história incorpora certos elementos não comuns em filmes do gênero. Elementos esses que não vou revelar aqui para não estragar a surpresa, mas que são muito bem-vindos.

Se o roteiro já é bom, adicione aí a direção especializada nesse tipo de filme da diretora Nancy Meyers (dos ótimos “Do Que As Mulheres Gostam” e “Alguém Tem Que Ceder”). E o quarteto principal do elenco se mostra também entrosado: a fraca mas linda e carismática Cameron Diaz, o ótimo Jude Law, a sempre ótima Kate Winslet e um Jack Black diferente do que acostumamos a ver.

O Amor Não Tira Férias” não causa gargalhadas nem lágrimas, mas causa aquela sensação de bem-estar que gostamos de sentir quando saímos do cinema.

  • Fábio Vasques