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Filmes ambientados na África costumeiramente geram boas histórias. E quando se tem como tema a exploração ilegal de diamantes, algo de conhecimento público e recente, pode-se esperar algo muito bom. Junte aí um diretor sério, Edward Zwick (“O Último Samurai”) e está feita a receita para um filme inesquecível.
No entanto, “Diamante de Sangue” desliza feio em se esquecer do aspecto sócio-político do tema e virar uma mera aventura na África. A caça a um diamante vira o combustível do filme e, convenhamos, essa história é mais do que batida.
Obviamente há sim a denúncia contra as Forças Revolucionárias, que oprimem o povo e que trabalham de mãos dadas, mesmo que indiretamente, com os grandes comerciantes de diamantes do mundo. Mas em momentos determinantes da trama, o filme prefere a aventura à denúncia.
Leonardo DiCaprio interpreta um mercenário sul-africano que é o elo entre as Forças e os comerciantes de diamantes. Faz o típico anti-herói, mas que todo mundo sabe que no fundo, tem bom coração. A interpretação de DiCaprio, que lhe rendeu uma indicação ao Oscar nesse ano, é consistente. Preconceitos e brincadeiras à parte, é inegável que DiCaprio é bom ator e, mesmo que não seja o melhor entre os cinco atores indicados desse ano, tem grandes chances de levar a cobiçada estatueta.
Atuação por atuação, a do africano Djimon Hounsou (já indicado ao Oscar por “Terra dos Sonhos”) é mais marcante e tem a cara de seu personagem. Sua indicação esse ano foi mais do que justa. O que se lamenta, no entanto, é o papel de Jennifer Connelly. Sua personagem, apesar de ter uma importância na trama, tem um papel muito pequeno e parece ter sido encaixado à força no roteiro para que lá houvesse alguma presença feminina.
“Diamante de Sangue” opta por ser mais comercial do que cerebral, o que talvez justifique sua ausência na lista de indicados à melhor filme desse ano do Oscar. A decisão se mostrou errada, porque além disso, o filme também foi mal de bilheteria. Vale ser visto e só.
* Trailer aqui.
Por Fábio Vasques