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Lanterninha: “Déjà Vu” causa déjà vu
5 Fevereiro, 2007, 1:28 am
Arquivado em: Cinema

Aquela sensação de “já vi isso antes”, o tal do déjà vu (“já visto”, em francês), é a sensação que se tem lá pela metade dessa produção de Jerry Bruckheimer. Aliás, isso é bem óbvio para quem já se deu ao trabalho de ver pelo menos cinco filmes do produtor mais influente de Hollywood atualmente.

Jerry é (ir)responsável por grandes baboseiras como: “Armagedom”, “Pearl Harbor”, “60 Segundos”, entre outros. Apesar de seu currículo ter incluído alguns bons filmes recentes, como “Falcão Negro em Perigo”, os filmes produzidos por ele são geralmente sinônimos de muita ação e pouco cérebro. No fundo, a história de seus filmes é sempre a mesma.

Poderia se esperar algo um pouco diferente nesse “Déjà Vu”? Sim, o tema permite, mas no fim, o filme acaba sendo apenas mais um. Isso porque Jerry pegou para o roteiro e para a direção dois parceiros de longa data. Terry Rossio (“Piratas do Caribe”) assina o roteiro e Tony Scott (“Inimigo do Estado”, também produzido por Bruckheimer) dirige.

Rossio cria um roteiro com pretensões maiores do que consegue apresentar. A história, que em si é simples, acaba se complicando. Dá um nó no cérebro do espectador. O problema é que o nó se dá por ser um roteiro mal escrito e mal contado, nem tanto pela sua inovação. Já Tony Scott, pelo menos aqui parece mais comportado. O filme entra de leve no campo da ficção e aí, como não é a praia do irmão mais novo de Ridley Scott, ele se enrola.

Pelo menos aqui, Tony deixa de lado sua direção cheia de cortes e saturação de cores, que foram mais do que abusadas em “Chamas da Vingança” e “Domino: A Caçadora de Recompensas”.

No fim das contas, “Déjà Vu” acaba sendo um misto da idéia central de “Efeito Borboleta” com o senso de vigilância apresentado em “Inimigo do Estado”. Na salada que isso vira, o resultado é apenas mediano. O grande erro de “Déjà Vu” é apresentar elementos quase que de fantasia num filme que se propõe a ser sério. Aí não dá para levá-lo a sério.

Como prêmio de consolação o elenco é encabeçado por Denzel Washington, que parece ser a única razão plausível de se ver “Déjà Vu”. Val Kilmer (gordo demais), quem diria, vira coadjuvante de luxo. E outro coadjuvante de luxo, mas esse por opção e não imposição é o bom Jim Caviezel (“A Paixão de Cristo”). Ele que tem cara de bom moço e inocente, faz um vilão enigmático e no mínimo, interessante.

Déjà Vu”, como o título sugere não mostra nada de novo. É um mero exercício da repetição.

Trailer aqui.

* Imagem: Cinemacomrapadura.com

  • Por Fábio Vasques