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Desde sua estréia há cerca de três meses atrás nos Estados Unidos, “Borat: O segundo melhor repórter do glorioso país, Cazaquistão, viaja à América” já fez quase US$ 300mi de bilheteria mundo afora. O filme teve um orçamento modestíssimo de US$ 18mi. Dá pra imaginar o que aconteceu com a carreira do ator e criador do personagem principal, Sacha Baron Cohen (seu trabalho mais famoso no cinema até então era a voz do também engraçado Rei Julien em “Madagascar”). Entre outras coisas, ele recebeu um Globo de Ouro de melhor ator e foi indicado ao Oscar de roteiro adaptado. E, lógico, já assinou contrato com a Fox para um segundo filme.
O que faz então de “Borat” o fenômeno que se tornou? O filme mostra a jornada de um suposto repórter do Cazaquistão aos Estados Unidos para fazer um documentário sobre a vida e os hábitos dos americanos. Isso vai servir de pretexto o filme todo para Cohen avacalhar com tudo e com todos que encontra pela frente. Ele primeiro ridiculariza seu “próprio país” e em seguida os EUA. É uma ridicularização absurdamente engraçada para uns e monstruosamente de mau gosto para outros. Não por acaso Cohen esteja sendo processado por meio mundo atualmente.
Seu personagem principal, Borat, é machista ao extremo, anti-semitista, preconceituoso e por aí vai. O primeiro grande barato do filme é indiretamente mostrar como o próprio povo americano é exatamente tudo isso que Borat o é de forma exagerada. Tudo o que se vê primeiro em Borat é logo visto em seguida no povo americano. Não por acaso o filme foi um grande sucesso por lá. Os americanos claramente se identificaram na história.
A segunda sacada de mestre do filme foi de ser filmado ao estilo documentário. Todas as vezes que Borat interage com algum americano no filme esse não sabia que na realidade estava participando de uma comédia. O argumento de que era um documentário feito por um repórter do Cazaquistão era usado como desculpa para fazer as pessoas participarem. Isso dá uma autenticidade perfeita ao que o filme indiretamente prega: apesar de acharem o resto do mundo hipócrita e preconceituoso, na verdade, os próprios americanos o são.
Dificilmente algum filme conseguirá insultar o maior número de pessoas por minuto e ser tão esclarecedor ao mesmo tempo como “Borat” é.
Trailer aqui.
Por Fábio Vasques