(a) Pipoca… Rock!!!


Coldplay joga na defesa e garante o placar
1 Março, 2007, 12:04 am
Arquivado em: Música

No futebol é comum quando um time está com o resultado que lhe interessa, jogar no arroz-com-feijão para garantir o que quer, sem ousar muito. Essa foi a tática adotada pelo Coldplay em sua breve passagem pela América do Sul. O que seria uma série de shows intimistas, com público sentado e setlist acústico para servir de laboratório para novas músicas, acabou virando um “The Best Of” no estilo convencional e como um show de rock deve ser: guitarras ligadas e povo de pé.

A fórmula cai como uma luva em lugares desprivilegiados para shows como o Brasil. Nunca se sabe se uma banda vem e se vem, aproveite porque um retorno é sempre incerto. Assim, o Coldplay fez um set de cerca de 100 minutos com pouco menos de 20 músicas que estão na ponta da língua de cada ser presente ao Via Funchal.

Sem ousar, o Coldplay se propõe a realizar execuções redondinhas dos seus grandes sucessos. Para não dizer que o show é previsível a banda surpreende ao tocar a linda e quase rara em shows, “Green Eyes”, no único momento intimista da banda. Além disso, após o público quase implorar de joelhos, Chris Martin e Jonny Buckland ainda incluíram a inocente “Shiver” ao fim do show.

Os destaques do show são sem dúvidas a fantástica “Clocks”, a emocionante “The Scientist” e a recente “Fix You”. Em todas as músicas o Coldplay mostra que tecnicamente é uma banda que beira o impecável. A guitarra de Jonny Buckland é discreta como muitas músicas do Coldplay pedem e grudenta ao mesmo tempo. Guy Berryman segue a linha de baixistas que não dão espetáculo mas que também não comprometem. O melhor músico do quarteto é Will Champion, que surra a bateria sem dó.

No entanto, como deve ser, o carisma de Chris Martin é o que faz do Coldplay ser o que é. Martin é um nerd cool que dança de forma desengonçada, se atira no chão e canta apropriadamente “In My Place” no meio do público, causando histeria feminina coletiva. Não por acaso o Coldplay atraia um público de classe média/alta entre 15 e 30 anos.

Felizmente o Coldplay não é daquelas bandas que é melhor ouvir do que ver. O show é inesquecível, memorável (e mais uma série de adjetivos similares) para qualquer fã e digno de sinceros elogios para aqueles que apenas curtem o som da banda.

  • Por Fábio Vasques

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