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Oscar não ousa e premia o óbvio
1 Março, 2007, 3:45 pm
Arquivado em: Cinema

Muito se disse que esse Oscar era o mais imprevisível dos últimos anos. Na verdade, apenas no prêmio de Melhor Filme se suspeitava de alguma dúvida. “Os Infiltrados”, “Pequena Miss Sunshine” e “Babel” eram apontados como favoritos. No entanto, a vitória de “Os Infiltrados” era mais do que óbvia. Explico:

Se premiasse “Babel”, a Academia estaria se repetindo ao premiar um filme de fórmula similar à do vencedor do ano passado, “Crash”, esse sim uma surpresa. Como se não bastasse, “Babel” é sim muito bom, mas está longe de ter a consistência de um filme que pretender receber o título de melhor do ano. Já o queridinho “Pequena Miss Sunshine” é alternativo e ao mesmo tempo simples demais para ostentar o título de Melhor Filme. Enfim, “Os Infiltrados”, mesmo sendo pesado demais para os padrões da Academia é o que tem mais cara de Oscar entre os três.

Como se não bastasse, não haveria razão em se premiar o roteiro e a direção de “Os Infiltrados” e premiar outro filme com o prêmio máximo. Esse erro, cometido em 1998, quando “Shakespeare Apaixonado” roubou o prêmio de “O Resgate do Soldado Ryan”, a Academia não comete mais.

Nas principais categorias, a única aparente surpresa foi a derrota de Eddie Murphy. Tido como vencedor certo do prêmio de coadjuvante até um mês atrás, Murphy errou ao lançar semanas antes do Oscar a comédia pastelão “Norbit”. O filme estreou exatamente na época em que os jurados davam seus votos ao Oscar. A imagem de bom ator que Murphy criou com sua atuação em “Dreamgirls” foi por água abaixo quando ele voltou às origens num filme repleto de piadas preconceituosas e de baixo nível.

Com relação às outras premiações principais, não se pode contestar nada. Até mesmo o absurdo que é uma perdedora do programa de TV “American Idol” vencer o prêmio de atriz coadjuvante pôde ser aceito. Jennifer Hudson não é atriz de verdade e deve trilhar a sina de atores que são amaldiçoados pelo Oscar, como Cuba Gooding Jr. No entanto, deu sorte de abocanhar um papel em que ela mais canta do que atua. Se houver um “Dreamgirls 2” (hehe), aí quem sabe ela volte a aparecer.

E no quesito injustiça do ano, o prêmio vai para a categoria de Filme Estrangeiro. Após levar três prêmios de categorias técnicas, o excelente “O Labirinto do Fauno” não podia ter perdido para “A Vida dos Outros”, da Alemanha. Essa categoria está cada vez mais interessante, competitiva e conseqüentemente cada vez mais distante do Brasil ser sequer indicado.

E como programa, o Oscar voltou a ser ao mesmo tempo imperdível e tedioso em certos momentos. A apresentadora Ellen DeGeneres certamente não voltará tão cedo ao Kodak Theather, após encaixar apenas algumas piadinhas médias e como o próprio Oscar é, óbvias.

* Clique aqui para conhecer todos os vencedores da noite

  • Por Fábio Vasques

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